A internet tem poder?

A crise política que está acontecendo no Egito  colocou mais uma vez em cena o papel da internet como instrumento político. Não só no Egito, mas em outros países como a Tunisia,  que passaram por episódios semelhantes nos últimos tempos, a internet tem tido um papel central. Por um lado, a população e os movimentos civis usando a rede como meio de mobilização e difusão; de outro, governos bloqueando provedores, telefonia e outros meios de comunicação.

Outro acontecimento recente foi o grande vazamento de documentos secretos de vários países pelo site Wikileaks. Veja como a Wikipédia apresenta esse site e a importância política dele:

WikiLeaks é uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia,[1] que publica, em seu site, posts de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas, sobre assuntos sensíveis. O site foi construído com base em vários pacotes de software, incluindo MediaWiki, Freenet, Tor e PGP.[2] Apesar do seu nome, a WikiLeaks não é uma wiki – leitores que não têm as permissões adequadas não podem editar o seu conteúdo.

O site, administrado por The Sunshine Press,[3] foi lançado em dezembro de 2006 e, em meados de novembro de 2007, já continha 1,2 milhão de documentos.[4] Seu principal editor e porta-voz é o australiano Julian Assange, jornalista e ciberativista.[5]

Ao longo de 2010, WikiLeaks publicou grandes massas de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos, com forte repercussão mundial. Em abril, divulgou um vídeo de 2007, que mostra o ataque de um helicóptero Apache norte-americano, matando pelo menos 12 pessoas – dentre as quais dois jornalistas da agência de notícias Reuters – em Bagdá, no contexto da ocupação do Iraque. O vídeo do ataque aéreo em Bagdá (Collateral Murder) é uma das mais notáveis publicações do site.[6][7] Outro documento polêmico mostrado pelo site é a cópia de um manual de instruções para tratamento de prisioneiros na prisão militar norte-americana de Guantánamo, em Cuba.[8] Em julho do mesmo ano, WikiLeaks promoveu a divulgação de uma grande massa de documentos secretos do exército dos Estados Unidos, reportando a morte de milhares de civis no guerra do Afeganistão em decorrência da ação de militares norte-americanos. Finalmente, em novembro, publicou uma série de telegramas secretos enviados pelas embaixadas dos Estados Unidos ao governo do país.

Em 2 de fevereiro de 2011, o WikiLeaks foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz,[9][10] pelo parlamentar norueguês Snorre Valen. O autor da proposta disse que o WikiLeaks é “uma das contribuições mais importantes para a liberdade de expressão e transparência” no século XXI. “Ao divulgar informações sobre corrupção, violações dos direitos humanos e crimes de guerra, o WikiLeaks é um candidato natural ao Prêmio Nobel da Paz”, acrescentou.[11]

Alguns analistas políticos indicam que os vazamentos feitos pelo site foram um dos estopins da crise na Tunisia. Apesar de ser difícil dimensionar a real importância da divulgação desses dados, é bastante claro que vários países tiveram que fazer explicações públicas sobre diversos opiniões emitidas nos documentos vazados, ao mesmo tempo que toda a rede vem repercutindo de maneira intensa essas informações que vieram a público.

Historicamente a Internet ainda é algo recente, mas mesmo assim pululam os exemplos como esse, e frente a eles podemos pensar em várias questões. Como usamos essas possibilidades da rede? Como se apresentam e se configuram na rede os diferentes atores políticos e sociais? Quais as fontes confiáveis de informação na rede? Qual o verdadeiro poder político da internet na atualidade?

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